terça-feira, 21 de agosto de 2007

[Dedicatória] Queridos meninos,

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[0. Introdução]
Outro dia, ocorreu-me o pensamento (extremamente negativo) que, quando a discussão é “o que as mulheres querem”, vocês parecem viver um tenebroso ciclo argumentativo (qualquer semelhança com a realidade não sendo mera coincidência) composto por:
errar → mudar → errar de novo → desistir → nos culpar → e seguir sem entender o que procuramos.

[1. Justificativa do tema]
Cansei de vê-los sofrer em tais momentos.
Motivada pelo atual estudo de Pesquisa em Comunicação Social, depois de cuidadosa e extensa observação de uma amostra x de meninas e y de meninos, no período de 1984 a 2007, elaborei como relatório uma lista básica do que nós, meninas, acreditamos ser o mais importante em vocês, rapazes.

[2. Delimitação do tema]
Todos os tópicos dizem respeito particularmente à interação conosco.

[3. Objetivo]
Eles podem ajudá-los a descobrir, afinal, o que esperamos de vocês.

[4. Resultado de pesquisas de campo e bibliográficas]
Primeiramente, saibam que homens devem gostar de mulheres. Não, não é nenhum comentário homofóbico, nem se apresse em colocar um “check” nesse primeiro item. Gostar, aqui, é bem mais que sua escolha sexual.
Gostar, aqui, é ter aquele fascínio nos olhos diante dos movimentos, das reações e das palavras tipicamente femininas.
É aquele quê de Vinícius de Moraes, ao dizer: “uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza, qualquer coisa que chora, qualquer coisa que sente saudade”.
É esse fascínio pelas diferenças e, em especial, pela delicadeza que é tão nossa.
É, ainda, ter o brilho nos olhos – e aquela água na boca – ao falar da mulher perfeita, da mais linda ou da sua.
É ver um destaque na redução imprecisa do início do tópico: gostar de mulher.

Em segundo lugar, homens devem ser corajosos. Por vezes, até, ousados.
Ousadia, além de charme, traz um elemento de convicção interessantíssimo.
Nem toda a assim-chamada “libertação” feminina conseguiu tirar do homem essa graça de chegar na mulher por quem ele se interessou.
Hoje, podemos até dar o primeiro passo, por vezes. Mas ganha pontos aquele que tem a coragem de abordar.
A leitura é simples: “eu tento, porque se ela não me quiser, só quem perde é ela”.
É aí que está a tal convicção, tão atraente. Na mulher, fica o pensamento “ele deve ter motivos pra ser tão seguro... senão não teria essa coragem toda”.
Mulher não apóia insegurança masculina. Isso a gente já tem. E já estabeleceram por aí que as forças que se atraem são as opostas.

Em terceiro lugar, homens precisam pensar. Mais uma vez: pensar não é apenas aquela atividade desenvolvida por todo e qualquer homo sapiens. Pensar envolve curiosidade, criatividade, cultura, inteligência, perspicácia e até expressão coerente.
Aliás, falar bem é condição sine qua non. E me parece que quem pensa bem fala melhor ainda.

Em quarto lugar, homens devem ser intrigantes.
É preciso manter aquele tom de mistério, manter as diferenças no ar.
É fundamental não dizer tudo, não chegar nem perto de extremos.
Nós, mulheres, somos estudiosas do funcionamento da mente masculina, e, ao contrário de vocês, dificilmente diríamos que “deveriam vir com manual”.
Fazem parte do thrill descobrir aos poucos, pensar e repensar, concluir, e, acima de tudo, ser surpreendida.

Aliás, homens devem trabalhar sempre com o elemento surpresa. Ele pode ser a diferença entre o ‘sim’ e o ‘não’ (Vinícius, que foi casado nove vezes, com mulheres das mais inteligentes e belas, parecia saber disso: “a hora do sim é o descuido do não”, cantava).

E, por fim, homens devem ser educados. Acredite: isso faz toda a diferença.
Homens devem se portar bem, escolher bem as palavras, ter boas maneiras.
Aliás, a qualidade chamada cavalheirismo talvez seja a mais facilmente traduzida em ações, expostas a qualquer olhar, a todo tempo. E homens cavalheiros serão corteses. E cortesia é o par perfeito para a delicadeza feminina.

[5. Hipótese]
No entanto, além desses pontos, vocês precisam ser únicos. É importantíssimo que sua escolhida acredite que nunca encontraria ninguém igual a você. Isso porque você tem aquela combinação de qualidades fundamentais e mais aquela uma coisinha que é só sua. Pra essa aí não há lista de possibilidades, nem fórmula, nem, possivelmente, descrição... só depende de você e dos olhos da sua respectiva. Do contrário, todos vocês seriam apaixonados por La Bündchen e todas nós por Hugh Jackman, com todas aquelas qualidades hors concours.

[6. Conclusão I]
Prasermuitosincera, meninos, meus estudos indicam que não adianta ter tudo o que foi citado pelos entrevistados se não houver uma sintonia que traz essa singularidade aos olhos.

[7. Conclusão II]
Portanto, como toda pesquisa deve trazer algo de essencialmente novo para a sociedade, juro que não me cansarei mais ao ouví-los dizer que não sabem o que queremos. Entendi que, de fato, não podem (nem devem) saber.
Quando descobrirem – e descobrirão de uma amostra unitária, pois minha pesquisa também aponta que não há regra que leve a conjuntos – saberão o que precisam fazer.

Fica, no entanto, o lembrete que, nos resultados acima, como humilde contribuição, está o MÍNIMO exigido.

O resto é com vocês, Darwin, Merlin ou a Mãe Natureza.


Rafa

domingo, 15 de julho de 2007

A gente tem que ter um ídolo

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Contextualização
[Também conhecida como minha eterna mania de explicação]

Outro dia (daqueles do tipo "a cura para o tédio é a curiosidade"), eu cheguei à conclusão que todo ser humano tem que ter, ao menos, uma mania (ou um "TOCzinho"), um vício, um medo, um ponto fraco e um ídolo.
Do contrário, fica normal demais. E, pense bem: gente, por definição, tem que ser singular.
Gente muito normal termina enlouquecendo. E, pior, está fadada a não saber conviver com a loucura. Não é melhor se aceitar (e se assumir) logo "atípico" de que surtar de repente?


O post de hoje
[vide título]

Antes de qualquer coisa, estou sentindo a necessidade de esclarecer o que entendo por ídolo.
Chico Buarque (que muita gente esperava que imperasse nesse texto) não é um ídolo. É um ser inalcançável, em torno do qual eu aloquei (embasadas) características positivas. Tem TUDO de melhor. É perfeito. Portanto, está num patamar de mito ("representação humana ideal, não raro ilusória, sem correspondentes na realidade") .
Um ídolo, de fato, tem que ser humano. E, eu já estabeleci que manias, vícios, medos, pontos fracos e os tais defeitos validam a humanidade [aceite a ambigüidade do termo].
Portanto: não, este post não fala de Chico (nem de McCartney, nem de Bono, nem de Audrey Hepburn).

Meu ídolo, na verdade, carrega meu sobrenome (calma, também não é Vinícius... além do mais, o Moraes dele é com E) e descende da mesma matriz genealógica (viu que nem podia ser?).

E ele é novo. Muito novo. Novo na idade e na alma. No espírito meigo, de rir e fazer rir.
E é experiente, muito experiente. Experiente na idade e na alma. Nos relacionamentos, nas preocupações, na vida profissional.
Aliás, ele talvez seja o mais bem sucedido dos Morais. Coisa que sua modéstia quase palpável nunca lhe permitiria admitir - nem pra si mesmo.
E ele é mais: porque, claro, uma pessoa admirável assim tem que ser generosa. E ela tem que saber que generosidade anda de mãos dadas com o anonimato; que, por sua vez, é primo daquela tal modéstia.

Ele tem, ainda, aquelas características de agradar os olhos.
É beleza daquelas que desconserta as menos mulheres, que desperta inveja nos menos homens.
É beleza daquelas que não sabe que é bonita, e nem imagina que mora, aí, o ponto alto de tanta beleza.

É delicadeza em forma física; energia branca vestida de preto, azul ou amarelo, de paletó ou pés descalços.
É simpatia concreta, delimitada por um sorriso.

Moram nele toda aquela segurança desconsertada, uma personalidade forte disfarçada, aquela curiosidade discreta e uma auto-suficiência escondida.

E ele tem defeitos. Como são importantes os defeitos! Ídolo tem que ser gente. Só gente pode virar exemplo e fazer com que a gente acredite que um dia chega perto de ser tudo aquilo. Se não os tivesse, não o escolheria.
No entanto, pára aqui o parágrafo sobre os defeitos. Porque os dele só estão ali para que ele pudesse ser ídolo. Fora a isso, não cumprem nenhum papel que atrapalhe suas qualidades, não merecendo, sequer, ser mencionados.

E ele tem todo o resto da singularidade humana: os vícios, as manias, os medos, a leveza quanto aos pontos fracos e a paradoxal vontade de mudar. Eu não poderia escrever sobre uma pessoa que não fosse completa. Digo, complexa. Haveria de ser alguém que se pudesse estudar, entender, explicar. E alguém que não se soubesse estudado, nem entendido, e que nunca se tivesse visto explicado.

Escolhi justo, e muito bem, meu ídolo. Ídolo de infância, de brincadeiras, de passeios, de saudade; ídolo de novo de vida adulta, de orgulho, de cumplicidade, e de saudade.
Melhor ainda ser ídolo de sangue. Me faz pensar: "quem sabe, um dia, com todo o esforço e a ajuda extra desse fator genético, num chego lá?".

Isso, porque meu ídolo é, de fato e de direito, a essência do que qualquer um deve almejar ser. Mas, se perguntado, ele possivelmente dirá que o parâmetro do que se deve ser é o ídolo dele.

Essas coisas da humanidade...


Rafa

desambiguação -- humanidade:
1. A natureza humana.
2. O gênero humano.
3. Benevolência, clemência; compaixão.

sábado, 14 de julho de 2007

Argentina vice: Não tem preço!

Muito bem. A Argentina perdeu. Que felicidade!
De quebra, o Brasil ainda ganhou... =]
Perfeito. Hermanos, vice. Brasil, campeão; em cima da Argentina, de 3 a zero.

O que a gente escutou a gurizada cantando na comemoração:

(...)Também somos linha de frente
de toda essa história
Nós somos do tempo do samba
Sem grana, sem glória
Não se discute talento
Mas seu argumento, me faça o favor
Respeite quem pode chegar
onde a gente chegou
E a gente chegou muito bem
Sem desmerecer a ninguém
Enfrentando no peito um certo preconceito
e muito desdém(...)


Gracias, 'hermanos'!
Rafa